A Forca

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á que adorar-me dizes que não podes,
Imperatriz serena, alva e discreta,
Ai, como no teu colo há muita seta
E o teu peito é peito dum Herodes.

Eu antes que encaneçam meus bigodes
Ao meu mister de amar-te hei de pôr meta,
O coração mo diz – feroz profeta,
Que anões faz dos colossos lá de Rodes.

E a vida depurada no cadinho
Das eróticas dores do alvoroço,
Acabará na forca, num azinho,
Mas o que há de apertar o meu pescoço

Em lugar de ser corda de bom linho
Será do teu cabelo um menos grosso.
Num tripúdio de Corte rigoroso
Eu sou quem descobriu Vénus linfática,

– Beleza escultural, grega, simpática,
Um tipo peregrino e luminoso. –
Foi lâmpada no mundo cavernoso,
Inspiradora foi de carta enfática,

Onde a alma candente mas sem tácita,
Se espraiava num canto lacrimoso.
Mas ela em papel fino e perfumado,
Respondeu certas coisas deslumbrantes,

Que o puseram, ó céus, desapontado!
Eram falsas as frases palpitantes
Pois que tudo, ó meu Deus, fora roubado
Ao bom do «Secretário dos Amantes».